A compaixão de Deus

Amós 7.1-6 nos conduz a duas visões de juízo e, entre elas, apresenta algo extraordinário: a intercessão do profeta. Deus mostra a Amós a devastação que viria sobre Israel, mas, diante da gravidade do juízo, o profeta clama: “Senhor Deus, perdoa, rogo-te; como subsistirá Jacó?” (v.2).

Amós não tenta justificar o pecado de Israel. Ele sabe que o povo é culpado. Sua súplica nasce da compaixão e da consciência de que, sem a misericórdia de Deus, Jacó não poderia permanecer de pé. A verdadeira intercessão não diminui a gravidade do pecado; ela reconhece a necessidade desesperadora da graça.

Duas vezes Amós intercede, e duas vezes o texto afirma que o Senhor se arrepende do mal que havia anunciado. Isso não significa que Deus tenha cometido um erro ou mudado em seu caráter. A linguagem revela sua disposição misericordiosa de responder à oração que ele mesmo soberanamente conduz.

Aqui encontramos uma preciosa verdade: o Deus que anuncia o juízo também é o Deus que ouve a intercessão. Seu governo soberano não torna a oração inútil. Pelo contrário, Deus utiliza as orações de seus servos como instrumentos dentro de seus santos propósitos.

A Igreja precisa recuperar essa convicção. Diante de uma sociedade marcada pelo pecado, não somos chamados apenas a criticar ou lamentar. Somos chamados a orar. Há pessoas, famílias e comunidades que precisam ser colocadas diante do trono da graça.

E encontramos em Cristo a maior segurança para nossa intercessão. Ele não apenas nos ensinou a orar; Ele próprio intercede continuamente por aqueles que lhe pertencem. “Vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25).

Portanto, quando enxergarmos a gravidade do pecado, não abandonemos a esperança. Dobremos os joelhos. O juízo é real, mas a misericórdia de Deus também é. O Deus soberano continua ouvindo a oração do seu povo.

Pr. Ricardo

Publicar um comentário