Os pacificadores

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. [Mt.5.9]

Nesta bem-aventurança, Cristo não exalta qualquer tipo de paz, mas a paz que nasce da reconciliação com Deus e transborda em reconciliação com o próximo. Na perspectiva reformada, isso começa com a doutrina central da depravação total: o homem, por natureza, não é pacífico, mas inclinado ao conflito com Deus e com os outros. Portanto, não produzimos essa paz por esforço humano; ela é fruto da graça soberana.

Deus, em Cristo, realizou a verdadeira paz. Pela obra substitutiva de Jesus na cruz, fomos reconciliados com Deus (Rm 5:1). Assim, o cristão não busca paz como um ideal abstrato, mas como alguém que já foi alcançado pela paz de Deus. A reconciliação vertical gera implicações horizontais: quem foi perdoado, perdoa; quem foi reconciliado, reconcilia.

Ser pacificador não é evitar conflitos a qualquer custo, nem relativizar a verdade. Pelo contrário, a paz bíblica anda junto com a justiça e a verdade. O próprio Cristo confrontou o pecado, mas sempre com o propósito de restaurar. Portanto, o pacificador é aquele que, firmado na Palavra, trabalha para restaurar relacionamentos rompidos, chamando ao arrependimento e oferecendo graça.

Essa bem-aventurança também aponta para nossa identidade: “serão chamados filhos de Deus”. Não é que nos tornamos filhos por promover a paz, mas evidenciamos que somos filhos ao refletir o caráter do Pai. Deus é o grande Pacificador, e seus filhos manifestam essa mesma obra no mundo.

Assim, a igreja é chamada a viver como comunidade de reconciliação em um mundo dividido. Onde há ódio, semear amor; onde há divisão, promover unidade na verdade; onde há culpa, anunciar o perdão em Cristo. Vivendo assim, refletimos o caráter do Pai e evidenciamos que somos seus filhos. Esse é o caminho dos bem-aventurados.

Pr. Ricardo

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