Amós 7.10-17 apresenta o confronto entre a Palavra de Deus e o poder humano. Amazias, sacerdote de Betel, não suportou a mensagem de Amós e tentou silenciar o profeta. O problema não era a falta de clareza da mensagem, mas o fato de que a verdade de Deus confrontava os interesses daqueles que estavam acomodados em sua posição.
Amazias manda Amós voltar para Judá e profetizar ali. Em suas palavras, o sacerdote trata a profecia como uma ameaça política e considera Betel propriedade de sua própria autoridade. Mas Amós responde com humildade: “Eu não era profeta, nem discípulo de profeta; mas boieiro e colhedor de sicômoros” (v.14). Sua autoridade não vinha de posição, formação ou prestígio. Ele estava ali porque Deus o havia chamado.
Essa é uma verdade importante para a Igreja. A autoridade da pregação não está na personalidade do pregador, em sua eloquência ou em sua posição, mas na fidelidade à Palavra de Deus. O ministro não foi chamado para adaptar a mensagem às expectativas das pessoas, mas para proclamar todo o conselho de Deus.
A reação de Amazias também revela como o coração humano responde à verdade. Quando a Palavra confronta nossos pecados, podemos nos arrepender ou tentar silenciar quem nos confronta. O problema não está na Palavra, mas em nossa resistência a ela.
Cristo é o exemplo supremo do Profeta fiel. Ele proclamou a verdade sem temor e foi rejeitado por aqueles que amavam mais as trevas do que a luz. Mesmo assim, permaneceu obediente ao Pai até a cruz.
Por isso, a Igreja precisa ouvir a Palavra mesmo quando ela dói. E aqueles que pregam precisam fazê-lo com coragem e humildade, lembrando que foram enviados por Deus. Não devemos perguntar se a mensagem é agradável, mas se é verdadeira. A Palavra de Deus não existe para confirmar nosso conforto, mas para confrontar nosso pecado e nos conduzir a Cristo.
Pr. Ricardo