Quando o conforto adorme a alma

Amós 6.1-7 apresenta uma das advertências mais solenes do profeta. O problema de Israel não era apenas a riqueza, o descanso ou a boa mesa. O pecado estava em transformar a prosperidade em segurança e o conforto em anestesia espiritual. “Ai dos que andam à vontade em Sião” (v.1). Eles viviam tranquilamente enquanto a nação caminhava para o juízo. O profeta denuncia aqueles que se deitavam em camas de marfim, comiam os melhores alimentos, bebiam vinho em abundância e se divertiam ao som de instrumentos. Contudo, havia algo terrível: “não se afligem com a ruína de José” (v.6). Tinham prazer no conforto, mas nenhuma tristeza pela decadência espiritual do povo.

Essa palavra confronta também a Igreja. É possível possuir abundância e, ao mesmo tempo, estar espiritualmente pobre. Podemos ter templos, recursos, programas e tranquilidade, mas perder a sensibilidade diante do pecado, da necessidade do próximo e da glória de Deus.

A prosperidade nunca deve se tornar nosso salvador. O coração humano facilmente transforma as dádivas de Deus em substitutos do próprio Deus. Quando o conforto ocupa o lugar da comunhão com o Senhor, ele deixa de ser bênção e torna-se ídolo. Cristo, porém, nos mostra o caminho oposto. O Senhor da glória não viveu buscando comodidade. Ele “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 2.7). Enquanto nós frequentemente buscamos uma vida confortável, Cristo entregou sua vida pelos pecadores.

Por isso, Amós nos chama ao arrependimento: não vivamos indiferentes à ruína espiritual ao nosso redor. Que nossas casas, recursos e confortos sejam instrumentos para servir ao Reino, e não esconderijos contra a realidade do pecado.

O dia do juízo virá. Que não sejamos encontrados descansando em nossos privilégios, mas vigilantes, servindo ao Senhor e aguardando a volta de Cristo. O conforto pode adormecer a alma; somente Cristo pode fazê-la verdadeiramente descansar.

Pr. Ricardo

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