“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”. [Mt.5.10]
Nesta palavra de Cristo, encontramos não apenas uma descrição da realidade do discípulo, mas também uma promessa que sustenta a alma em meio à oposição. Na perspectiva reformada, entendemos que a perseguição não é um acidente na vida cristã, mas um fruto inevitável de uma vida transformada pela graça. Aqueles que foram justificados pela fé e unidos a Cristo passam a viver segundo a justiça do Reino, o que naturalmente confronta os valores deste mundo caído. A luz expõe as trevas, e por isso é rejeitada.
Contudo, é essencial notar que a bem-aventurança não está em qualquer sofrimento, mas naquele que ocorre “por causa da justiça”. Não se trata de padecer por imprudência, orgulho ou dureza, mas por fidelidade a Cristo, à sua Palavra e à sua vontade. A perseguição que agrada a Deus é aquela que vem como consequência de uma vida santa e comprometida com a verdade.
Além disso, Jesus aponta para a recompensa: “deles é o reino dos céus”. Não é uma promessa futura apenas, mas uma realidade presente. Mesmo em meio à dor, o crente já pertence ao Reino, já desfruta da comunhão com Deus e da segurança de sua soberania. Nenhuma oposição pode roubar essa herança.
Assim, a igreja é chamada a perseverar com humildade e coragem. Não retaliando, não cedendo, mas permanecendo firme na graça. A perseguição, longe de destruir a fé verdadeira, a purifica e evidencia sua autenticidade.
Vivamos com os olhos na eternidade, firmados em Cristo, certos de que toda aflição por amor à justiça não é em vão, mas é sinal de que pertencemos ao Reino que jamais será abalado.
Pr. Ricardo