Os que choram

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” [Mt. 5.4]

À primeira vista, essa afirmação parece contraditória. Como alguém que chora pode ser chamado de bem-aventurado, isto é, verdadeiramente feliz? No entanto, Cristo revela aqui uma profunda verdade espiritual.

O choro mencionado por Jesus não se refere apenas às tristezas comuns da vida, mas principalmente ao lamento espiritual diante do pecado. É o choro daquele que, ao perceber a santidade de Deus, reconhece sua própria miséria espiritual. Esse é o mesmo espírito demonstrado por Davi quando declarou: “Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim” [Sl. 51.3].

Esse choro também envolve tristeza pelo pecado presente no mundo. O cristão, ao ver a injustiça, a impiedade e a rebelião contra Deus, não permanece indiferente. Assim como Ló era atormentado pela conduta perversa dos ímpios ao seu redor [2 Pe. 2.8], o povo de Deus lamenta aquilo que entristece o coração do Senhor.

Contudo, essa bem-aventurança não termina no choro, mas na promessa: “serão consolados”. O consolo vem do próprio Deus. Ele perdoa os pecados por meio de Cristo, restaura o coração quebrantado e concede a esperança da redenção final. Como afirma o profeta Isaías, o Messias veio para “consolar todos os que choram” [Is. 61.1-2].

Há também uma dimensão futura nessa promessa. Um dia, na consumação do reino, Deus enxugará dos olhos dos seus servos toda lágrima [Ap. 21.4]. O choro do arrependimento e da dor dará lugar à alegria eterna na presença do Senhor.

Portanto, o ensino de Jesus nos chama a um coração sensível diante de Deus. Onde há verdadeiro arrependimento, há graça abundante. Onde há lágrimas por causa do pecado, há também o doce consolo do evangelho. Assim, paradoxalmente, aqueles que choram diante de Deus são exatamente aqueles que experimentam a verdadeira felicidade do Reino de Deus.

Pr. Ricardo

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