“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”. [Mt 5.3]
Jesus inicia o Sermão do Monte revelando a verdadeira natureza daqueles que pertencem ao Reino de Deus. Em contraste com a lógica do mundo, que valoriza autossuficiência, poder e mérito pessoal, Cristo declara bem-aventurados os humildes de espírito. Essa afirmação estabelece o fundamento da vida no Reino.
Ser humilde de espírito não significa fraqueza de caráter nem ausência de dignidade. Antes, trata-se de uma profunda consciência da própria condição diante de Deus. O humilde de espírito reconhece sua miséria espiritual, entende que não possui justiça própria e admite que nada tem em si mesmo que possa recomendá-lo diante do Senhor. Tal pessoa sabe que depende inteiramente da graça divina.
As Escrituras ensinam claramente essa realidade. Por causa do pecado, o ser humano encontra-se espiritualmente incapaz de salvar-se. O apóstolo Paulo afirma: “não há justo, nem um sequer” [Rm. 3.10]. A Confissão de Fé de Westminster declara que os homens, em seu estado natural, estão “totalmente indispostos, adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal” [CFW VI, §4º]. Essa condição revela a profundidade da nossa necessidade da graça de Deus.
A verdadeira humildade de espírito é produzida pela obra do Espírito Santo, que ilumina o entendimento e nos mostra nossa real condição. Quando compreendemos nossa necessidade, somos conduzidos a Cristo, o único que pode salvar pecadores. João Calvino afirmou que o homem “jamais chega ao puro conhecimento de si mesmo até que haja antes contemplado a face de Deus, e da visão dele desça a examinar-se a si próprio” [Institutas I.1.2]. Ao contemplar a santidade divina, reconhecemos nossa própria pobreza espiritual.
Entretanto, Jesus apresenta também uma promessa gloriosa: “deles é o reino dos céus”. Logo, o Reino não pertence aos orgulhosos ou autossuficientes, mas aos abandonam a confiança em si mesmos e recebem as riquezas do Reino e a vida verdadeira em Cristo.
Pr. Ricardo