Louvando em todos os momentos

E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram no cárcere, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança. Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e lhes prendeu os pés no tronco. Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. [At. 16.23-25]

Mesmo quando presos no cárcere, Lucas escreve que, em oração, Paulo e Silas louvaram a Deus. A partir disso, vemos que nem a vergonha que sofreram, nem as lesões que fizeram sua carne arder, nem o fedor do profundo calabouço, nem o perigo da morte que severamente os perseguia de perto poderiam impedi-los de dar graças ao Senhor jubilosamente e com alegria no coração.

Devemos observar esta regra geral: não podemos orar do modo como deveríamos a menos que também louvemos a Deus. Pois, mesmo que o desejo de orar surja por sentirmos nossa privação e miséria e seja, portanto, em grande parte, unido à tristeza e à inquietude, os fiéis contudo devem frear seus sentimentos a fim de que não murmurem contra Deus.

Devem fazer isso para que a forma correta de orar una as duas afeições: tristeza e inquietude (pela necessidade atual que nos mantém abatidos) à alegria (pela obediência por meio da qual nos submetemos a Deus e por cuja esperança que, mostrando-nos um lugar seguro e facilmente disponível, revigora-nos mesmo em meio ao naufrágio). Paulo nos prescreve o seguinte formato: “…sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp. 4.6).

Mas nessa história devemos notar as circunstâncias, pois, embora a dor das lesões fosse extrema, embora a prisão fosse incômoda, embora o perigo fosse grande, quando vemos que Paulo e Silas não interromperam o louvor a Deus, compreendemos que eles foram grandiosamente encorajados a carregar a cruz.

João Calvino

Dia a Dia com Calvino: Devocional Diário, trad. Elisa Tisserant de Castro (Curitiba: Publicações Pão Diário, 2021), 564–565.

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