“Irai-vos e não pequeis” [Ef 4.26].
É comum pensarmos que alguns sentimentos não devem ser nutridos pelos crentes por serem vistos como sentimentos apenas pecaminosos. A vingança, por exemplo, é um deles; a ira também. É possível que a maioria de nós acredita que não podemos nos irar, porque a ira é, em sua essência, um sentimento ruim e pecaminoso. Mas isso não é verdade. A ira pode ser santa, e mais, essencial.
Por exemplo, como reagimos diante da injustiça, da maldade, da opressão contra os mais frágeis? Qual reação temos quando ouvimos ou lemos aquela notícia de um assassinato bárbaro de uma criança inocente? Espero que a nossa reação não seja de indiferença. Embora vivamos em um mundo caído e mau, não devemos nos acostumar com o que acontece ao nosso redor. Precisamos de uma ira santa, uma indignação contra essas coisas.
Também não devemos ver a ira como algo ruim, pois Deus também se ira. A Bíblia afirma que o povo “deixou o SENHOR e O provocaram à ira” [Jz. 2.12; cf. Jr. 25.6]; o profeta Naum afirma que o “O SENHOR é Deus zeloso e vingador, o SENHOR é vingador e cheio de ira; o SENHOR toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos” [Na. 1.2].
E o que dizer do Senhor Jesus? Visto como cheio de amor e compaixão [e Ele deve ser visto dessa maneira], também revela indignação e ira santa; certa ocasião, Jesus “expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas”. [Mt 21.12]. Em outra, ficou “indignado e condoído com a dureza do seu coração” dos fariseus. [Mc 3.5].
Portanto, a ira não é algo ruim ou pecaminoso em si, mas devemos cuidar para que a nossa ira seja manifesta pelas coisas certas e com as motivações certas.
Pr. Ricardo