“Disse ainda o SENHOR: Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento”. [Êx. 3.7]
A vida dos homens é de fato indiscriminadamente sujeita às lutas e adversidades, porém Tiago não trouxe à tona nenhum homem ordinário para exemplo, pois de nada valeria perecer com a multidão. Ele escolhe os profetas, uma associação com quem é abençoado. Nada nos quebra e desanima tanto como o sentimento de miséria.
É, portanto, uma verdadeira consolação saber que essas coisas comumente consideradas males são auxílios e socorros para nossa salvação. Isso é, de fato, o que está distante de ser compreendido pela carne; contudo os fiéis devem estar convencidos disto: que são felizes quando, por meio de várias dificuldades, são provados pelo Senhor.
Para nos convencer disso, Tiago nos lembra de considerar o fim ou o plano das aflições suportadas pelos profetas, pois, como em nossos próprios males, ficamos sem capacidade crítica, sendo influenciados pela tristeza, pelo sofrimento ou algum outro sentimento imoderado por não vermos nada sob um céu nebuloso e em meio às tempestades, sendo lançados para lá e para cá, por assim dizer. É, portanto, necessário que desloquemos o nosso olhar para outro canto onde o céu é de certa forma sereno e radiante.
Quando as aflições dos santos são relacionadas a nós, não há ninguém que professará que suas condições eram miseráveis, mas que, ao contrário, eram alegres.
João Calvino
Dia a Dia com Calvino: Devocional Diário, trans. Elisa Tisserant de Castro (Curitiba: Publicações Pão Diário, 2021), 641.