Submissão voluntária

7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, 8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” [Fp 2.7–8].

Na Confissão de Fé chamada de Credo Apostólico, a transição é admiravelmente feita no nascimento de Cristo para Sua morte e ressurreição, na qual consiste da completude da perfeita salvação. Contudo, não há exclusão da outra parte da obediência que Ele executou em vida. Consequentemente Paulo abarca, do início ao fim, o fato de que Cristo assumiu a forma de servo, humilhou-se e tornou-se “obediente até a morte e morte de cruz” [Fp. 2.7]. E, de fato, o primeiro passo na obediência foi a Sua sujeição voluntária, pois o sacrifício teria sido fútil para a justificação se não tivesse sido oferecido espontaneamente. Logo, nosso Senhor após testificar: “…dou a minha vida pelas ovelhas”, acrescenta com clareza: “Ninguém a tira de mim…” [Jo. 5.15, 18]. No mesmo sentido, Isaías declara: “… como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” [Is. 53.7]. A história do evangelho relata que ele se apresentou para encontrar os soldados e, em vez de defender-se na presença de Pilatos, permaneceu ali para receber julgamento.

Ele de fato não o fez sem peleja, pois havia assumido as nossas fraquezas também e nesse aspecto seria adequado que Ele provasse que estava rendendo obediência a Seu Pai. Foi um exemplo incomum de amor incomparável por nós essa luta com terrores tenebrosos e, em meio a terríveis torturas, abandonar todo cuidado consigo para que fosse nosso Provedor. Devemos ter em mente que Cristo não podia propiciar Deus devidamente sem que renunciasse aos Seus próprios sentimentos e se submetesse inteiramente à vontade de Seu Pai. A esse respeito, o apóstolo cita uma passagem pertinente de Salmos: “… eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito, agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu…” [Sl. 40.7-8; Hb. 10.7]. Dessa forma, como as consciências trêmulas não encontram descanso sem sacrifício e ablução pelos quais os pecados são expiados, somos convenientemente direcionados para aqui, para fonte de nossa vida que está na morte de Cristo.

João Calvino

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