A folia da falsa alegria

O Carnaval é apresentado como a grande expressão de alegria do povo: festa, excesso, liberdade sem limites. Contudo, à luz das Escrituras, precisamos discernir que nem toda alegria é verdadeira, nem todo riso nasce de um coração satisfeito em Deus. A Bíblia nos adverte que existe uma alegria passageira, vazia e enganosa, que termina em tristeza espiritual.

Salomão escreve: “Até no riso tem dor o coração, e o fim da alegria é tristeza” [Pv 14.13]. O Carnaval promete alegria imediata, mas frequentemente colhe culpa, cansaço, relacionamentos quebrados e um vazio ainda maior. É uma alegria que depende do excesso – de bebida, de sensualidade, de euforia coletiva – e, por isso, precisa ser constantemente renovada.

O apóstolo Paulo nos lembra que “o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” [Rm. 14.17]. A verdadeira alegria não nasce da fuga da realidade, mas da reconciliação com Deus. Enquanto o mundo busca anestesiar a alma, o evangelho oferece cura. Enquanto a carne busca prazer momentâneo, o Espírito produz alegria duradoura [Gl. 5.22].

As Escrituras também alertam contra uma vida conduzida pelos desejos desordenados: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; aquilo que o homem semear, isso também ceifará” [Gl. 6.7]. A cultura do excesso pode até parecer inofensiva, mas forma corações insensíveis à santidade e resistentes ao arrependimento.

Em contraste, Cristo nos chama a uma alegria mais profunda. Ele declarou: “Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” [Jo 15.11]. Essa alegria não depende de circunstâncias, não termina na Quarta-feira de Cinzas e não escraviza a consciência. Ela flui da comunhão com Deus, do perdão dos pecados e da esperança eterna.

Que a igreja, em tempos de falsa alegria, seja testemunha da verdadeira. “Alegrai-vos no Senhor” [Fp. 4.4] – não por alguns dias, mas para sempre.

Pr. Ricardo

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