“Muito me angustiaram desde a minha mocidade” [Sl 129.1]. Assim começa o cântico do povo de Deus. O Salmo 129 é uma confissão honesta de uma igreja marcada pela aflição. Não é um lamento isolado, mas um testemunho coletivo: desde o início, o povo da aliança tem sido oprimido, ferido e perseguido. Ainda assim, permanece de pé.
Israel reconhece que os ataques foram profundos – “os lavradores lavraram sobre as minhas costas” [v.3] – uma imagem forte de sofrimento prolongado e cruel. A Escritura não romantiza a dor do povo de Deus. A fé cristã não nega a realidade da perseguição; ao contrário, afirma que ela é parte da peregrinação cristã neste mundo caído. Contudo, o salmo não termina na ferida, mas na fidelidade de Deus.
O centro da esperança está no verso 4: “O SENHOR é justo; cortou as cordas dos ímpios”. Não é a força de Israel que o preserva, mas a justiça soberana do Senhor. Deus permite que seu povo seja provado, mas não permite que seja destruído. Os inimigos avançam até onde Deus consente, e não além. A providência divina governa tanto a aflição quanto o livramento.
Este salmo também nos lembra que a oposição ao povo de Deus não ficará impune. Aqueles que odeiam Sião secarão como a erva dos telhados [vv.5-6]; aparência momentânea de vida, mas sem raiz, sem fruto e sem futuro. A justiça final pertence ao Senhor, não à vingança humana.
Em Cristo, este salmo alcança seu pleno cumprimento. Ele foi oprimido desde a juventude, ferido nas costas, perseguido até a morte. Porém, o Pai cortou as cordas da morte na ressurreição. Assim, unidos a Cristo, a igreja pode confessar com confiança: fomos afligidos, mas não vencidos.
Que esta verdade fortaleça o coração da igreja hoje: a história do povo de Deus é marcada por oposição, mas sustentada pela justiça fiel do Senhor. Ele preserva os seus, ontem, hoje e eternamente. Amém
Pr. Ricardo