Suicídio entre indígenas: um problema espiritual

Todo mês de setembro há um empenho dos órgãos públicos em suas diversas esferas para tratar da questão do suicídio, também entre os indígenas do nosso país. Considero tal interesse positivo, mas a campanha e suas ações não têm sido efetivas.

Tive oportunidade de trabalhar por dezessete anos no meio de povos indígenas no Alto Rio Negro que praticam o suicídio. Os rapazes tendem a se enforcar e as moças a tomar veneno. Um padrão correspondente aos grandes centros. Os pesquisadores insistem em empreender suas pesquisas na relação entre os indígenas e a sociedade não indígena envolvente, por acreditar que esta é o combustível para o suicídio entre aqueles.

O fato é que as sociedades indígenas tem uma plataforma estrutural cultural que os predispõe ao suicídio. Diferente do que se conhece, para o indígena, o suicídio não é construído tijolo por tijolo. A forma como ele interpreta e se relaciona com o mundo o predispõe para o suicídio. Vergonha, traição do cônjuge, raiva, culpa e insatisfação são o estopim para tirarem a própria vida. Tudo em questão de minutos! Como se dissessem: “É melhor morrer do que ter que enfrentar a vergonha de algo que se tornou público”, ou “Se só trago tristeza para a minha família é melhor morrer!”

Se não bastasse encararem o suicídio como algo tão frugal, lhe é também uma forma honrosa de morrer, de reverter o seu status de desonra ou culpa. Suicídio é visto como algo honroso.

O lema do setembro Amarelo que diz “Falar é a melhor solução” não é a melhor “solução” para se propor aos indígenas. A solução para eles é o Evangelho da graça salvadora e transformadora. Que não só apenas salva, mas transforma as suas vidas e sua forma de perceber a realidade.

Que o Senhor levante missionários para os povos indígenas do Brasil!

Rev. Marcelo Carvalho [Missionário da WEC Brasil e 3lêntika]

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