“Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” [1Co. 1.30].
Cristo veio para chamar todos os pecadores, mas para chamá-los ao arrependimento. Ele foi enviado para abençoar o indigno, porém para fazê-lo de modo que “…cada um se aparte das suas perversidades”. Quando Deus oferece o perdão dos pecados, Ele usualmente estipula o arrependimento em retorno, sugerindo que Sua misericórdia deveria induzir os homens a se arrependerem. “Mantende o juízo…”, ele diz, “…e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir…”. Novamente, “…Virá o Redentor a Sião e aos de Jacó que se converterem…”.
Mais uma vez, “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados”. Contudo, deve ser observado que o arrependimento não é condição estabelecida em tal sentido a ponto de ser uma fundação para o merecimento de perdão; não, antes ele indica o fim que se deve almejar caso se deseje obter favor, tendo Deus decidido apiedar-se dos homens pela expressa finalidade de guiá-los ao arrependimento.
Portanto, enquanto estivermos habitando a prisão do corpo, devemos lutar constantemente com os vícios de nossa natureza corrupta e assim também com nossa disposição natural. Verdadeiramente podemos dizer que a vida de um homem cristão é diligência constante e exercício da mortificação da carne, até que seja seguramente massacrada e o Espírito de Deus obtenha domínio em nós.
Por conseguinte, para mim parece ter feito muito progresso aquele que aprendeu a estar grandemente insatisfeito consigo mesmo. Ele, contudo, não permanece no lodo sem ir adiante; antes apressa-se e suspira por Deus para que, entrelaçado em ambas, morte e vida de Cristo, possa meditar constantemente sobre o arrependimento. Inquestionavelmente aqueles que têm ódio genuíno ao pecado não podem agir de outro modo, pois homem algum jamais odiou o pecado sem antes estar enamorado da justiça.
João Calvino