O convite de todos

“assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação”. [Hb. 9.28].

O reino de Cristo no mundo está de certa forma encoberto pela humilhação de uma condição carnal; a fé é convidada a meditar mais adequadamente na presença visível que Ele exibirá no último dia. Cristo descerá do Céu em forma visível, de maneira semelhante à que Ele foi visto ascendendo e aparecerá a todos com a inexprimível majestade de Seu reino, o esplendor da imortalidade, o poder ilimitado da divindade e a prestativa companhia de anjos.

Das extremidades do Universo, será ouvido o ressoar da trombeta convocando todos ao Seu tribunal – tanto aqueles que esse dia encontrar vivos quanto os que foram previamente removidos da comunidade dos viventes.

Nossa definição, franca e clara, está de acordo com o Credo que certamente foi escrito para uso popular. Não há nada contrário a ele na declaração dos apóstolos com relação ao fato de que é dado ao homem morrer uma única vez. Pois, embora aqueles que sobreviverem até o último dia não morrerão de modo natural, contudo a mudança à qual serão submetidos, como deverá parecer, não é indevidamente chamada de morte (Hb. 9:27). “…nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos” (1Co. 15:51).

O que isso significa? Sua vida mortal perecerá e será engolida em um único momento e será transformada em uma natureza inteiramente nova. Embora ninguém possa negar que essa destruição da carne seja a morte, ainda continua sendo verdade que os vivos e os mortos serão convocados para o julgamento; pois “…os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares…” (1Ts. 4:16-17).

João Calvino

Dia a Dia com Calvino: Devocional Diário, trad. Elisa Tisserant de Castro (Curitiba: Publicações Pão Diário, 2021), 366–367.

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