Catarina nasceu em 1499, filha de um nobre alemão. Aos 9 anos, órfã de mãe, entrou para um convento beneditino e se tornou freira aos 16 anos. Quando ela e outras freiras ouviram falar do ensino bíblico de Martinho Lutero, creram no que ele pregava e passaram a desejar abandonar a clausura. Decididas a isso, escreveram para o reformador, que encorajou um amigo negociante a ajudá-las a escapar. As doze noviças foram, então, transportadas em barris de peixes para fora do convento. Algumas retornaram às famílias, outras encontraram moradia, marido e emprego com a ajuda de Lutero.
Catarina foi cortejada por diversos homens, mas os recusou, afirmando que só se casaria com Lutero ou alguém muito parecido com ele. O reformador ria ao ouvir isso e dizia que nunca se casaria. Porém, acabou propondo casamento a Catarina. O casamento foi muito feliz e o casal viveu junto por 21 anos. A casa deles foi o mosteiro agostiniano, na cidade de Wittenberg, concedido a eles pelo príncipe Frederico. A diligente Catarina o reformou e administrou, o que permitiu a Lutero ter tranquilidade em sua vida privada.
O casal teve seis filhos, dos quais sobreviveram quatro, e criou mais seis sobrinhos órfãos. Além dos familiares, era comum haver mais de trinta pessoas por vez no mosteiro, entre hóspedes, viajantes e estudantes.
O último testemunho de Lutero sobre Catarina foi de que a esposa o mantinha jovem e em boa forma e ele ficaria totalmente perdido sem ela. Catarina cuidava dele em seus momentos de depressão e suportava seus acessos de cólera. Ela o ajudava em seu trabalho e, acima de tudo, amava a Cristo. Lutero viria a declarar que, depois de Jesus, Catarina era o maior presente que Deus lhe dera e que, se algum dia viessem a escrever a história da Reforma, ele esperava que o nome dela aparecesse junto ao dele. E concluiu: “Eu oro por isso!”.
Rute Salviano Almeida
Heroínas da Fé: Devocionais com Mulheres Que Impactaram a História da Igreja, 1a Edição (Rio de Janeiro-RJ: GodBooks, 2020), 39–40.